Hospitais particulares do RJ estão com 80% de seus leitos ocupados, diz associação – 18/05/2020

Entidade que reúne unidades privadas aponta que rede particular pode entrar em colapso. ‘Não temos saída. Nossos hospitais estão no gargalo completo’, diz diretor da Sociedade Médica do Estado do Rio de Janeiro.

A taxa de ocupação dos leitos da rede privada de hospitais do estado do Rio de Janeiro está em 80%, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP).

Profissionais que atuam em unidades particulares alertam para a possibilidade de falta de leitos na rede privada já a partir da próxima semana.

Na opinião do Dr. Rômulo Capello Teixeira, diretor secretário geral da Sociedade Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus vai ser maior do que a capacidade dos hospitais do estado.

“Nossos hospitais estão no gargalo completo. Não temos saída realmente. A nossa capacidade instalada, tanto pública quanto privada, ela não supre essa necessidade e essa demanda”, alertou Capello.

Pelo último balanço oficial divulgado, o estado tinha até quarta-feira (29) 794 mortes e 8.869 casos de contágio confirmados de Covid-19. Outros 275 óbitos estão em investigação.

De acordo com a ANAHP, existem 14.940 leitos privados no RJ, sendo 4.040 destinados para Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Esse número observa todos os hospitais particulares dos 92 municípios do estado.

Como comparação, segundo a instituição, a taxa de ocupação de leitos privados por pacientes com Covid-19 em todo o Brasil gira em torno dos 50%. Ou seja, o Rio de Janeiro (80%) está bem acima da média nacional.

Pela primeira vez, a Secretaria Estadual de Saúde divulgou nesta quinta-feira (30) dados da rede particular: a taxa de ocupação nessas unidades já passa de 65%. Na rede pública, a situação está perto do colapso (veja vídeo acima).

A secretaria, no entanto, esclarece que a divergência em relação ao número apresentado pela associação se dá porque as redes não são totalmente integradas, pois algumas unidades particulares não repassam os dados para o SUS.

“A Secretaria de Estado de Saúde informa que, de acordo com a base de dados disponível para o estado por unidades particulares, a rede privada conta 1.200 leitos gerais de UTI, com taxa de 65% de ocupação”.

Hospitais lotados

Segundo profissionais de saúde ouvidos pelo G1, muitas unidades de referência da rede privada já estão sem vagas para novas internações em leitos de CTI.

Nesses casos, para que um novo paciente possa ser internado é preciso que uma outra pessoa deixe seu leito, seja por alta médica ou por motivo de falecimento.

Em três unidades da Rede D’Or, uma das mais reconhecidas do RJ, os leitos de CTI estão lotados, segundo profissionais que atuam nesses hospitais.

“Há pelo menos um mês, todos os leitos de CTI do Copa D’Or estão ocupados. Eles abriram um novo CTI onde era uma pediatria. O Quinta D’Or é a mesma coisa. Estão com a carga máxima de leitos ocupados”, comentou um médico.

Na unidade de Copacabana, na última quarta-feira (29), além do CTI lotado, a câmara frigorífica também estava com sua capacidade máxima.

Outro trabalhador da saúde contou que o Hospital Pasteur, no Méier, na Zona Norte, o Assim Tijuca e o Hospital Samaritano, da Barra da Tijuca, também não tinham mais vagas de CTI há pelo menos um mês.

“Eu acredito que outros também não tenham mais vaga, principalmente aqueles com convênios mais simples, mais humildes. Esses casos são os mais preocupantes. Se as grandes redes estão sem vagas, imaginem os menores”, disse.

Os relatos dos profissionais são alarmantes. Eles consideram que a curva de contágio da Covid-19 está crescendo muito rápido e os próximos dias serão difíceis.

“Nós temos observado uma curva ascendente. Essa é a projeção dos colegas infectologistas para a semana que vem. Efetivamente, vai ser um horror. Vai ser um problema muito grave”, disse o Dr. Capello.

Isolamento social

Para o representante da Somerj, a única maneira de tentar evitar um colapso nos sistemas de saúde público e privado é reforçar o isolamento social.

“É extremamente importante que as pessoas fiquem em casa. Estamos enfrentando uma doença com uma taxa de contaminação monstruosa. Nós não temos uma vacina de prevenção, não temos um tratamento específico, então como nós ficamos? As fisiopatologias se apresentam a cada momento. Nossos hospitais estão no gargalo completo. Não temos saída realmente”, comentou Capello.

O médico também fez questão de lembrar que essa crise afetou sistemas de saúde de todo o mundo. Segundo ele, ninguém conseguiu atender a demanda no momento de pico.

“Vale lembrar que estamos enfrentando uma pandemia. Eu posso afirmar que ninguém vai sair igual. Ninguém vai ser o mesmo de fevereiro, quando tivemos o primeiro quadro no Rio de Janeiro. Ninguém vai sair igual. A área da saúde vai ter que se reinventar depois disso tudo”, projetou o médico.

“Eu tenho 36 anos de formado e nunca vi o que estamos vendo hoje. É um drama diário”, concluiu.

Avaliação contínua

Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados, a contagem de leitos disponíveis na rede privada deve ser feita com frequência.

“Os dados e projeções dos cenários locais e regionais devem ser analisados e revisitados com frequência para identificar as áreas de risco mais críticas para alocar os recursos disponíveis”, disse, em nota, a associação.

Respostas dos hospitais

O Grupo Américas Serviços Médicos, responsável pela administração do Hospital Samaritano Botafogo; Hospital Samaritano Barra da Tijuca; Hospital Pró-Cardíaco; Hospital Maternidade Santa Lucia; e Hospital Vitória Barra da Tijuca, disse ao G1 que não poderia divulgar o número de leitos disponíveis.

“Não informamos porque são números que mudam diariamente e além de leitos em operação, temos leitos que podem ser expandidos a qualquer momento, conforme demanda e integração com os demais hospitais da rede”.

Já a Rede ímpar, que administra o Hospital São Lucas Copacabana e Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), disse que os hospitais notificam as autoridades sanitárias com relação aos números de casos suspeitos e ou confirmados com o Covid-19.

“Dessa forma, toda informação estatística deve ser vista diretamente com o Ministério da Saúde. Informamos ainda que o Hospital São Lucas e o CHN adotaram um plano de contingência que estabelece rotas alternativas de atendimento, caso o volume aumente”.

A Casa de Saúde São José informou que não está divulgando dados internos.

Até a publicação dessa reportagem, a Rede D’Or não respondeu aos questionamentos feitos sobre o número de leitos disponíveis em seus hospitais.

Fonte: G1

Opinião, por Ana Villa Nova e Melissa Areal Pires, advogadas da Areal Pires Advogados  

Hospitais particulares do RJ estão com 80% de seus leitos ocupados, diz associação. 

Em 30 de Abril deste ano, de acordo com a ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados, 80% dos leitos particulares da cidade do Rio de Janeiro já estão ocupados para tratamento de pessoas infectadas pela Covid-19. Esses números demonstram que nosso sistema de saúde, em breve, entrará em colapso e, portanto, estará impossibilitado de atender à demanda da população, que só tende a crescer. 

Relatos de inúmeros profissionais que atuam em hospitais dão conta de que as UTIs e CTIs estão com sua capacidade máxima devido ao rápido crescimento da curva de contágio do vírus. Diversos hospitais de campanha foram construídos pelo governo, em parceria com a iniciativa privada, para o atendimento da população.  

No Brasil, o número de mortes e de pessoas contaminadas pelo vírus batem recordes diariamente, chegando a 13.618 mortes  e 197.838 casos confirmados, no dia 14 de Maio.  

Em relação às pessoas seguradas por planos de saúde, importante esclarecer que deve haver cobertura para procedimentos de urgência e emergência após 24 horas da contratação, não podendo haver negativa de cobertura sob a justificativa de carência contratual para essas situações de urgência e emergência. 

O tratamento da Covid-19, realizado em ambiente hospitalar, tem cobertura obrigatória pelos planos e seguros de saúde para o consumidor que contratou a cobertura hospitalar, a qual incluir, segundo o art. 12, II, “a”, da lei 9.656/98, a cobertura das seguintes despesas: 

 a) cobertura de internações hospitalares, vedada a limitação de prazo, valor máximo e quantidade, em clínicas básicas e especializadas, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina, admitindo-se a exclusão dos procedimentos obstétricos;  

        b) cobertura de internações hospitalares em centro de terapia intensiva, ou similar, vedada a limitação de prazo, valor máximo e quantidade, a critério do médico assistente;  

        c) cobertura de despesas referentes a honorários médicos, serviços gerais de enfermagem e alimentação; 

        d) cobertura de exames complementares indispensáveis para o controle da evolução da doença e elucidação diagnóstica, fornecimento de medicamentos, anestésicos, gases medicinais, transfusões e sessões de quimioterapia e radioterapia, conforme prescrição do médico assistente, realizados ou ministrados durante o período de internação hospitalar;   

        e) cobertura de toda e qualquer taxa, incluindo materiais utilizados, assim como da remoção do paciente, comprovadamente necessária, para outro estabelecimento hospitalar, dentro dos limites de abrangência geográfica previstos no contrato, em território brasileiro; e 

        f)cobertura de despesas de acompanhante, no caso de pacientes menores de dezoito anos; 

       g) cobertura para tratamentos antineoplásicos ambulatoriais e domiciliares de uso oral, procedimentos radioterápicos para tratamento de câncer e hemoterapia, na qualidade de procedimentos cuja necessidade esteja relacionada à continuidade da assistência prestada em âmbito de internação hospitalar. 

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